Hydropsalis é um gênero de aves da família Caprimulgidae da ordem Caprimulgiformes.
Todos os representantes deste gênero são quase que exclusivamente noturnos. Possuem dieta insetívora e caçam no crepúsculo e em noites de lua cheia. Segundo Sick, utilizam apenas a visão para detecção das presas, pois ao contrário de corujas e morcegos, não possuem sensores auditivos. Os bacuraus possuem plumagem críptica, e muitas vezes a identificação das espécies se torna difícil. O macho apresenta manchas brancas nas asas e retrizes, sinais importantes para uma ave noturna durante as exibições nupciais. Nidificam diretamente no solo. Os ovos são postos em uma concavidade com ou sem nenhuma forração.
Câmara Cascudo registra o uso do bacurau como amuleto. Pena de asa de bacurau cura dor de dente e algumas outras, dispostas entre a manta e sela, fazem com que o cavalo não caia nem que salte rio cheio. O autor cita também o nome popular de mede-léguas, porque a ave passa a noite pelos caminhos, olhos acesos, contando as léguas numa medição gratuita e sem fim. Parece ter havido ainda uma lenda desaparecida da qual resta um provérbio: “é dizendo e bacurau escrevendo”, para indicar a veracidade indiscutível de uma afirmativa.
O bacurau-de-roraima mede cerca de 23 centímetros de comprimento. Possui coloração escura, com larga faixa branca nas primárias e manchas brancas nas retrizes externas e na orla da asa. O macho difere de outros caprimulgideos por essa larga faixa nas primárias, garganta branca e cauda com padrões característicos em branco, preto e ocre.
O curiango-do-banhado mede 20 centímetros de comprimento. Espécie pequena, porém robusta, macho com asas curtas, de forma singular. Rêmiges (penas de voo) primárias recurvadas como sabres, de pontas brancas, que devem servir para a produção de um ruído forte durante o voo de exibição. Pescoço anterior tipicamente estriado e salpicado de branco-amarelado. Retrizes (penas da cauda) externas de pontas esbranquiçadas. Fêmea de asa “normal”, sem branco. O macho tem asa peculiar, rêmiges primárias recurvadas, com ponta branca; a fêmea possui asa normal, sem branco. A cauda muito curta.
Habita os campos naturais com gramíneas de aproximadamente 30 centímetros de altura e bordas de banhados.
Ocorre do Sudeste brasileiro ao Rio Grande do Sul e região de Brasília
O bacurau-de-rabo-branco mede cerca de 20 centímetros de comprimento. É um bacurau marrom-claro com faixa branca nas asas e abdome e retrizes laterais brancos.
No Brasil, ocorre no Cerrado, principalmente no subsistema de campo limpo abundante em cupinzeiros. Está ameaçado de extinção, apesar das populações conhecidas estarem relativamente bem protegidas. As principais ameaças são as queimadas e a conversão do cerrado em plantações de eucalipto, pastagem, soja e outras culturas.
Atualmente sabe-se da ocorrência da espécie em quatro localidades: Parque Nacional das Emas (sudoeste de Goiás); Reserva Mbaracay (Paraguai); Laguna Blanca (Paraguai) e Estação Biológica de Beni (Bolívia). Existem registros históricos nos estados de Mato Grosso e São Paulo.
Comprimento: macho 28 centímetros; fêmea 23 centímetros. O macho possui a cauda mais longa (com as penas externas brancas) e as asas pretas com uma larga faixa branca; a fêmea tem a cauda um pouco mais curta, sem branco, e uma faixa cor de canela nas asas.
Comum em margens, praias e bancos de areia ao longo dos grandes rios, bem como em ilhas fluviais. Apresenta hábitos noturnos, voando curtas distâncias, a partir da areia ou de poleiros sobre a água, para capturar insetos. Descansa durante o dia. Pousa freqüentemente em galhos.
Presente na Amazônia brasileira e também das Guianas e Venezuela à Bolívia.
O bacurau-tesoura mede cerca de 40 centímetros de comprimento(macho adulto), onde a cauda toma mais de 2/3 deste total. A fêmea tem por volta de 27,5 centímetros. Sua longa cauda tem a forma de tesoura. Emite um finíssimo “tzig” voando e o canto é uma sequência prolongada de “zip…”, um pio por segundo.
Vive na beirada da mata, campos e cerrados. Adapta-se também às cidades, já tendo sido observado nos telhados do Rio de Janeiro. É ave noturna. Durante o dia fica pousado imóvel no chão ou longitudinalmente sobre galhos baixos de árvores, em perfeita camuflagem.
Ocorre do sul do rio Amazonas até o Rio Grande do Sul, e também no Peru, Paraguai, Argentina e Uruguai.
O bacurau-tesourao mede cerca de 76 centímetros de comprimento (sendo 55 centímetros só de cauda), a fêmea mede 32 centímetros. Além de possuir uma cauda muito menor que a do macho, a fêmea apresenta grandes manchas amareladas no papo. Também não tem a faixa branca nas asas comum em seus parentes; possui um “colar” na nuca marrom-avermelhado.
Habita florestas primárias altas. Aparentemente apresenta baixa densidade populacional e é ameaçado pelo desmatamento ao longo de sua área de ocorrência. A cauda pode chegar a ser 3 vezes maior que o corpo da ave, sendo espetacular ver essa ave levantando voo com tal aparato. A cauda da fêmea é muito menor, levemente bifurcada e com o par central um pouco mais comprido do que os demais e de cor diferente. Além do voo de caça, vertical e retornado à origem, apresentam vôos elaborados de perseguição entre machos, com produção de sons graves, possivelmente pelas asas. Esses vôos tanto ocorrem na horizontal, em sobrevoos seguidos de um ponto, como em perseguições verticais. É ave noturna, mas preferencialmente crepuscular, conhece os segredos da noite. Durante o dia fica pousado imóvel no chão ou longitudinalmente sobre galhos baixos de árvores, em perfeita camuflagem.
Ocorre do Espírito Santo ao Rio Grande do Sul e também na Argentina. No Espírito Santo e Rio de Janeiro é encontrado apenas em regiões de montanhas, como a Serra dos Órgãos e Itatiaia.
O bacurau-de-cauda-branca mede 22,5 centímetros de comprimento. O macho apresenta garganta e ventre brancos e a cauda branca com uma faixa medial negra muito distinta em campo. A fêmea difere pela cauda e garganta mais escuras.
É encontrado em campinaranas, lavrados e nos campos de Boa Vista (Roraima). Frequenta pastos e campos de pouso de aeronaves em fazendas.
Comum em Roraima e no Amapá e na área do Amazonas que liga entre esses dois estados. Também ocorre nas Guianas, Venezuela, Colômbia e Equador.
O bacurau-da-telha mede 23 centímetros de comprimento. Possui coloração escura, com larga faixa branca nas primárias, e manchas brancas nas retrizes externas e na orla da asa. O macho difere de outros Caprimulgus por essa larga faixa nas primárias, garganta branca e cauda com padrões característicos em branco, preto e ocre.
Vive em áreas semi-abertas, campos de altitude, campos rupestres, chapadas, enclaves rochosos e em algumas cidades. Apresenta hábitos crepusculares e noturnos. Durante o dia, dormem em grupos sobre os telhados em certas cidades no Sudeste e Sul, o que lhe rendeu esse nome popular.
Ocorre nos estados de Alagoas, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, São Paulo e Sergipe.
O bacurau-de-rabo-maculado mede 19 centímetros de comprimento. Ambos os sexos apresentam um colar ruivo atrás da nuca, lembrando um bacurau-tesoura, mas possuem a cauda curta e quadrada. O macho apresenta garganta e a cauda branca com uma faixa terminal, além de pintas mediais brancas, muito distintas em voo.
Ocorre em buritizais, matas de galeria, campos, varjões e áreas úmidas abertas.
É um bacurau de distribuição fragmentada na América do Sul, ocorre do México à Bolívia, incluindo todo o Brasil. Ocorre nos estados do Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia, São Paulo e Tocantins.
O bacurau-chintã mede cerca de 20 centímetros de comprimento. O macho apresenta a garganta, uma larga faixa nas asas e a ponta da cauda (vista de baixo) brancas e a fêmea possui a garganta amarelada e não tem branco nas asas e na cauda.
Comum em campos com árvores e arbustos. É noturno e vive no chão, descansando durante o dia sob arbustos. Pousa sobre troncos para cantar.
Presente em todo o Brasil, e também da Venezuela à Bolívia e Argentina. Migratório, aparece em quantidade em algumas regiões, em determinadas épocas do ano, como no Estado de Minas Gerais(outubro).
O bacurau-dos-tepuis mede 21 centímetros de comprimento. Sua plumagem é ainda mais escura que a do bacurau-de-lajeado. A espécie é pouco estudada.
Noturno, sobrevoa as matas serranas, entre 1280 a 1800 metros de altitude.
No Brasil, foi registrado em Roraima, na fronteira com a Venezuela, no Cerro Urutani e no Monte Roraima. Também ocorre em pequenas áreas do país citado e pequena área da Colômbia.